vics @ 23:47

Sex, 02/10/09

 

Este é o meu primeiro post em ‘escalavardos’ – um blog de Monchique e para Monchique, com uma visão positiva e proactiva, com sentido de responsabilidade, porque pensar, falar e agir são direitos conseguidos pela liberdade, mas a nossa esgota-se onde começa a do outro, e, a maledicência e o bota-a-baixo não fazem sentido nem resolvem nada.
Tratando-se do principio e como prólogo, e atendendo ao registo de ‘escalavardos’ e à sua génese, permito-me reportar ao livro mais antigo e que tão elevada importância tem sobretudo na cultura europeia, com particular ênfase para Portugal e também para Monchique.
Génesis é o princípio. Ou melhor, explica o princípio das coisas, o princípio do universo, da humanidade, da terra, do pecado, da salvação divina. O primeiro livro da Bíblia, e logo do Pentateuco, procura ensinar que a Terra é boa, que todas as pessoas são importantes e únicas para Deus criador.
Creio que esta é uma boa pedrada no charco para um espaço de opinião e de reflexão que se reporta a uma boa terra – Monchique – e a boas pessoas, e, também com um potencial espectacular, com elevada riqueza de flora e fauna, como é o caso desse exemplar que são os escalavardos.
Bem hajam e bons posts.


Anónimo @ 12:46

Dom, 27/12/09

 

Nasci em Monchique em 1945 e lá vivi até 1951. Durante este período, o meu pai, pelo que sei, teve outra profissão, mas eu só tenho a memória de ele ser cabreiro, isto é, guardava um rebanho de cabras.

Algumas vezes o acompanhei, com os animais nas encostas da serra mais perto da vila. Desse tempo, três recordações perduram na minha memória. Uma é de ver o rebanho passar na rua defronte da nossa casa. Morávamos na rua S. Sebastião, na ultima casa do lado direito. A outra, é ver o meu pai a esfolar um cabrito em plena serra, soprando por uma cana de modo a fazer o ar entrar por baixo da pele do animal morto, para a pele se separar com facilidade. Naquele dia, quando ele lançou o cajado a um cabritinho teimoso em voltar ao rebanho, por azar partiu-lhe uma perna. Como um cabrito com perna partida, não pastaria na serra, o melhor foi levá-lo para casa já esfolado e limpo. Depois tenho a recordação de ver o meu pai a fazer o piso de uma eira, com o rebanho. O rebanho andava à roda numa área plana, e de vez em quando mudava o sentido da rotação numa grande confusão de cabras, a terra era molhada de quando em quando, os animais ainda defecavam e urinavam, as centenas de patinhas de cabra, a pisar milhares de vezes, aquela mistura de terra, caganitas, mijo e água, compactaria o solo de tal modo, que depois de seco, equivalia a uma lage de cimento.


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