Eduardo Duarte @ 21:41

Dom, 11/10/09

Junça que nasce na beirada dos valados, sou cascalho, retido no ralo da ciranda, de gerações antepassadas que surriparam,  amanharam e, com o seu suor, adubaram a terra. Gente que do barro xistoso dos cabeços ergueu a prumo as paredes de casinhas de taipa e transformou as pedras das ladeiras em húmus que alimenta. Gente que do trabalho e da terra só tirou aquilo que esta lhe podia dar: a vida.

 

Brotando desta ligação telúrica à minha terra e aos homens e mulheres que a moldam com o inexorável sopro do tempo e da vida, decidi integrar o projecto dos Escalavardos. É, portanto, mais uma brenha a desbravar, tendo como tema central o concelho de Monchique. E, os Escalavardos que aqui escrevem, não estão cá para gerir mais um blogue, para com mais ou menos articulados de letras, palavras, números e lirismos, fazer melhor que nos outros blogues que administramos particularmente. É muito mais que isso, é muito mais que gerir um conjunto de opiniões e pensamentos acerca da nossa terra. Ser Escalavardo é transformar, é procurar alcançar um caldo de cultura em que Monchique vale muito mais que o embarque noutro tipo de expedientes que em nada contribuem para a formação de uma massa crítica.

 

Entro neste projecto porque acredito na minha terra e na gente que a faz. Porque se não me fiasse nisto, nunca acreditaria em mim e na eterna militância na essência da liberdade. «Porque ser livre é um imperativo que não passa pela definição de nenhum estatuto. Não é um dote, é um dom.» (Miguel Torga, 1973)

 

 



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