Luís Costa @ 21:47

Sex, 09/10/09

 
Saudações Monchiquenses!  
Há pouco mais de vinte e sete anos tive a enorme felicidade de nascer num sítio que hoje tenho o orgulho de chamar casa. Fiz parte do último conjunto de pessoas que viu o primeiro raiar do sol em Monchique e orgulho-me bastante disso. Mas mais importante que lá ter nascido, foi lá ter sido criado. Esta terra foi, em grande parte, responsável pela pessoa que me tornei. Poderia ter nascido exactamente com os mesmos genes, mas caso não tivesse lá vivido seria uma pessoa totalmente diferente. Foi lá que aprendi a andar, a cair, a levantar-me. Foi lá que conheci os meus primeiros (grandes e eternos) amigos e que aprendi valores e princípios pelos quais ainda hoje me rejo. É lá que tenho a minha família e amigos, as minhas raízes. Por isso, acho que posso afirmar que faço parte de Monchique, tanto como Monchique faz parte de mim.
 
É, assim, claramente visível a influência e importância que Monchique tem para mim. Tanta coisa me foi oferecida ao longo do tempo por esta terra que me sinto numa relação onde recebo muito mais do que dou. Tento retribuir bradando por todos os sítios onde passo, a toda a gente que conheço que Monchique é o Jardim do Éden, o paraíso na terra, o melhor sítio do mundo para se viver e passar férias. Acentuo as qualidades, atenuo ou omito os defeitos. Mas sinto sempre que é pouco, que poderia fazer mais qualquer coisa. E é isso que quero fazer: qualquer coisa. Seja o que for. Nem que seja apenas contribuir com uma ideia que seja colocada em prática ou que ajude alguém. E é isso que me move e motiva neste blog. Contribuir sem querer nada de volta, pois Monchique já me deu mais do que eu alguma vez conseguirei retribuir.
 
Saúde da Boa.


Diamantino @ 16:21

Dom, 27/12/09

 

Do meu tempo de criança em monchique, lembro-me dos pirolitos, bebiam-se como hoje se bebe a coca-cola. Os pirolitos, eram gasosa engarrafada. As garrafas tinham uma forma peculiar, eram um cilindro de vidro grosso, com o gargalo cónico e dentre deste uma esfera também de vidro, chamado «berlinde». O berlinde não saía da garrafa por não caber na saída do gargalo e também não caía no fundo da garrafa, porque duas mossas no gargalo o impedia.
Os pirolitos, não eram mais que gasosa engarrafada, quando a garrafa era enchida com o líquido gaseificado, doce e com sabor a limão, a pressão do gás empurrava o berlinde de encontro a uma anilha de borracha, o vedante que estava na parte de cima, no interior do gargalo e assim a garrafa ficava fechada hermeticamente.
Para se abrir um pirolito, bastava fazer pressão no berlinde para o fazer descer, os adultos faziam-no com o dedo polegar, para nós, miúdos, a melhor maneira era com uma engenhosa chave, que nós próprios fazíamos com um carrinho de linhas vazio, que era naquele tempo, de madeira, hoje são de cartão. Cortavamos um dos lados ou seja, uma das rodas do carrinho, ficando assim apenas uma roda e o fusto. Era o fusto que enfiavamos no gargalo e quando no outro lado, na roda dávamos uma pancada com a mão, o berlinde descia fazendo o som característico de vidro contra vidro e saía uma fumaça de gás carbónico, estava o pirolito aberto. Os berlindes serviam, quando as garrafas se partiam, para nós jogarmos ao berlinde.
Os pirolitos passaram à história, creio que proibidos por não ser higiénico a sua abertura com o dedo, dando lugar às gasosas em garrafas fechadas com as actuais caricas. Até o jogo do berlinde teve a concorrência de um novo jogo, o jogo da carica, uma espécie de corridas de carros, com dois ou mais participantes. Cada participante tinha uma carica identificada com o seu nome e na sua vez, com uma pancada com o dedo, fazia-a avançar por uma estrada às curvas que desenhávamos no chão. Se alguma saísse da estrada desenhada, começava do princípio. Ganhava quem primeiro chega-se à meta.



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